Mostrando postagens com marcador não se nasce malévola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador não se nasce malévola. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de agosto de 2020

O mal não nasce, se cria


Os problemas entre os seres humanos, diferente do que nos contam no mito da torre de Babel, não são apenas linguísticos, são de fé. Aqueles que acreditam que só a sua língua, sua cultura, sua religião são a verdadeira, e as demais estão erradas. Aqueles que não conseguem apenas se encontrar com a cultura, língua e religião do outro e perceber diferenças, e não inferioridade. Se há um deus que diz que é a verdade, esse deus provavelmente guiará seus fiéis a destruir os outros que não acreditam na 'verdade' única, indiscutível e indubitável. Não há outra verdade se não a dele, e o contrário da verdade é mentira. Chamar todo resto do mundo de mentira, deslegitimando toda a diversidade cultural, é, no mínimo, caótico. Do homem bomba ao pastor que diz 'respeito todas as religiões, mas meu deus é maior', a linha que separa o poder da bomba do poder do discurso é igualmente devastadora para a humanidade. Só a cultura expulsa a arrogância das pessoas.


 Toda a vida de uma sociedade múltipla e diversa, como a brasileira atualmente, depende das decisões dos que falam de política – algo que é comum e influencia na vida de todos – em nome de uma fé que não é comum a todos. Fazem da bíblia constituição, limitam os humanos que tem direito aos direitos humanos em nome de deus, justificam o fascismo vigente dentro do congresso em nome da vontade de deus. Para manter o Brasil, em 2016, um país conservador, capitalista e cristão, seguindo a moral e os bons costumes da família tradicional brasileira, que cala e oprime mulheres, LGBT’s, a classe trabalhadora e práticas religiosas não cristãs, os deputados evangélicos se unem numa bancada para liderar o país, não pelas pautas sociais, mas para que ‘deus seja louvado’. Pouco importa de qual panteão esse deus que vem louvado no dinheiro seja, deus precisa ser cassado.


 Trecho do livro 'Não Se Nasce Malévola, Torna-se: A Representação da Mulher nos Contos de Fadas', saiba mais clicando aqui.

sábado, 25 de julho de 2020

Bruxas podem estar certas

Os contos de fadas lançados em animações, por décadas, ajudaram a criar no imaginário das meninas – agora mulheres – o sonho de ser a princesa, do casamento com um príncipe encantado que a protegeria de todo mal. Essa geração foi doutrinada – claro, não apenas pelos contos de fadas, mas por vários outros fatores e ferramentas sociais – a repudiar mulheres independentes e empoderadas, que não buscam a felicidade num casamento, num homem ou na maternidade. Foi doutrinada a querer ser uma bela moça recatada, um primor de dona de casa, a só se realizar com o matrimônio e a maternidade, a evitar ocupar espaços ‘destinados’ aos homens. A ser princesa por filiação ou casamento, ou seja, a sempre pertencer a alguém. Numa sociedade patriarcal, onde a cultura do estupro, a normalização de relacionamentos abusivos e a misoginia são leis, definitivamente não se nasce mulher, nasce-se estatística, nasce-se destinada a lutar para ter sua humanidade reconhecida, se nasce princesa, se nasce vilã. Para o patriarcado, princesas não são humanas, são mulheres. Vilãs não são humanas, porque são mulheres.

Viver neste mundo é tão irreal para quem não parece jamais ter sido aceito nele. O que se configura para os ‘inferiores’ na perturbada cadeia social é uma ilusão cega de que os abusos são normais, e que a vida não pode ser melhor do que já é. A gente se acostumou a sobreviver, e chamou isso de viver, a se esconder e chamou isso de moral, a fingir ser quem não somos e chamou isso de respeito. Nos deram um meio copo de leite azedo, e a gente acha que é a melhor garrafa de vinho que nos podia ser oferecida. Se contentar com tão pouco, mediocridade, ser tratado como inferior, mas por algum embaralhamento mental acreditar que é tratado como igual, que não sofre abusos e preconceitos, e por isso, achar que não precisa da luta pelos direitos, porque já se satisfaz com aquele meio copo de leite azedo. Amarraram nossas asas com um laço bonito, para nós não percebermos que estávamos sendo acorrentados, tiraram nossa liberdade, nossa vida por completo, e ninguém pode nos libertar, até que nos demos conta que podemos voar.

  
Trecho do livro 'Não Se Nasce Malévola, Torna-se: A Representação da Mulher nos Contos de Fadas", saiba mais.