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quarta-feira, 8 de abril de 2020

A vida em 24 horas - Capítulo VII



5h da manhã. Acordo sem despertador. Me deparo com inseguranças, incertezas, medo e angústias. Formiga (meu gato) caminha inquieta pela casa. Ligo o computador com um único objetivo: escrever minha dissertação. O computador começa a atualizar (e continua até o momento em que escrevo esse relato), o que impede que eu me perca nas leituras e escrita. Levanto e faço alguns abdominais. Coloco a bateria da câmera pra carregar, quem sabe gravar um vídeo pro canal, já tem meses que não posto. Formiga segue inquieta, o computador segue atualizando, a bateria segue carregando. O tempo nublado e chuvoso me chama pra rua, pra uma caminhada ou uma rápida corrida pelas ruas molhadas. Artemis (CD novo da Lindsey Stirling) baixado no celular, poderia correr por horas ouvindo esse CD, se a asma não me atacar antes. Qualquer som, qualquer lugar, qualquer esforço para desligar minha mente da minha mania de criar monstros que não posso derrotar...
Apenas mais um dia comum, em que o vazio segue sendo consequência e não razão.

02/11/2019

domingo, 1 de maio de 2016

A vida em 24 horas - Capítulo VI

17h11 - Hoje eu morri mais uma vez, quando me vi rodeada por uma multidão de gente que fala coisas que não posso ouvir, que me olha com olhos que nem sei dizer. Me vi ali afogada de olhos, de vozes, em frequências tão altas que faziam silêncio, faziam escuro. No escuro, posso não ver a cadeira e tropeçar, e na praça humana de indiferença e cada um por si, mesmo sem ser vista, permaneço ali, buscando ver almas atrás dos olhos eletrônicos das lentes das câmeras e celulares, ver verdade atrás dos filtros artificiais pra fazer a natureza parecer mais bela, permaneço ali vendo e ouvindo as mesmas coisas, os mesmos rostos, as mesmas mágoas esfaqueando os outros. A rotina é um pivete que te assalta os sonhos em cada esquina, quando a gente caminha sem fone, sem trilha sonora, a vida não é arte, mas a realidade não basta.

domingo, 27 de setembro de 2015

A vida em 24 horas - Capítulo V

18h37 - O que me impressiona mais na nossa falta de capacidade de perceber um humano nos outros, é a nossa habilidade de acreditar que, por mais que uma situação seja similar, podemos imaginar como o outro se sente em relação a ela. Talvez, só talvez, nossas trajetórias não sejam as mesmas, nossas percepções não sejam as mesmas, muito menos nossas almas. Não somos iguais. Quem sabe não consigamos ver o humano no outro, por não sabermos perceber e entender a diferença.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A vida em 24 horas - Capítulo IV

22h29- Saudades da época em que eu achava que a vida era ir pra escola, fazer arte e comer jambo. A gente era feliz, mas não era verdade, porque eu não sabia o que era a vida, até ela bater em mim e me tirar a escola, a arte e até o pé de jambo. Aí entendi que a vida é contar os minutos pra dar a hora de dormir, só pra tentar sonhar que a vida é outra coisa.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Vida em 24 Horas - Capítulo III

14h28
Sabe, assim... Me acostumei a não sonhar alto, depois que caí pela primeira vez. Fiquei presa entre os galhos de uma árvore seca, sempre achando que o céu poderia ser maior. Quando escorreguei, em uma imagem qualquer de um futuro azulado, perdi minhas cores, em queda livre, sobre os espinhos me atirei. Agora não parece tão difícil olhar pra frente, tanto que olho, pra um caminho vazio, sem sombras nem flores de plástico. Não me machuco com qualquer ilusão que se projete, mas sofro com tudo que comprometa a minha visão: olhar pra trás, música que se esfumaça sobre mim, recordar meus sonhos rasgados, que nem papel, despedaçados se levam pelo vento, vento que seca minhas lágrimas, meu medo, se joga contra meu corpo, me toca suavemente, balança minhas formas, contorna minhas curvas, me lembra que estou viva, ainda que pareça o contrário.

domingo, 7 de setembro de 2014

A vida em 24 horas - capítulo II

08h19:
Se der ruim
A gente arranja um bandolim
E compõe sobre isso

domingo, 21 de abril de 2013

A vida em 24 horas - capítulo I

20h30 - Sensação de nunca merecer. Como se chama? É algum tipo de doença, ou mania, não sei. Só não sei porque entram na vida da gente pessoas que a gente não merece. Não sei vale a pena chover enquanto ninguém vê. É como amar sem ninguém saber. Olhar pra todos os seus discos e nada te atrair. Sentir que uma mudança grande é necessária. Uma foto no espelho. Todo mundo tem medo de todo mundo. Ter medo de conto de fadas. Querer alguém. Alguém não é todo mundo, nem qualquer um. Alguém que muda tudo. Então você entende sexo, drogas e rock n' roll. Não faz questão do rock n' roll. O futuro se desmancha na rotina. Você o refaz todas as noites, mas então não o merece. E então continua usando drogas pesadas, principalmente, amor. E sim, overdose de amor mata.